Filho(a)
Nesta vida mambembe estamos em Cachoeira do Sul novamente... rolou mais um campeonato de garagem, com vitória de teu primo que agora assiste a um filme do Mickey, concentrado, após uma ronda pela cidade dele e minha armados com uma espada e uma pistola(de brinquedo, obviamente).
Nos últimos sete dias estiveste em Passo Fundo, Santa Maria, Santa Bárbara, Porto Alegre e agora está em Cachoeira, em quase todos os trechos com chuva, por vezes muita chuva. Tudo isso pra te dizer que andamos por este mundo pra cima e para baixo facinho facinho...
Teus limites serão teus sonhos, queremos que voe na altura que quiseres, que ande na velocidade desejada por ti. Serás uma hemisférica(o) sulina(o) com os pés no presente e os olhos no futuro.
Hoje quero que conheça uma música que tem tudo a ver com este sangue mochileiro de teu pai e de tua mãe. De Gujo Teixeira e Luiz Marenco, Batendo água.
Meu poncho emponcha lonjuras batendo água
E as águas que eu trago nele eram pra mim
Asas de noite em meus ombros sobrando casa
Longe "das casa" ombreada a barro e capim
Faz tempo que eu não emalo meu poncho inteiro
Nem abro as asas da noite pra um sol de abril
Faz muitos dias que eu venho bancando o tino
Das quatro patas do zaino pechando o frio
Troca um compasso de orelhas a cada pisada
No mesmo tranco da várzea que se encharcou
Topa nas abas sombreras, que em outros ventos
Guentaram as chuvas de agosto que Deus mandou
Meu zaino garrou da noite o céu escuro
E tudo o que a noite escuta é seu clarim
De patas batendo n'água depois da várzea
Freio e rosetas de esporas no mesmo trim
Falta distância de pago e sobra cavalo
Na mesma ronda de campo que o céu deságua
Quem tem um rumo de rancho pras quatro patas
Bota seu mundo na estrada batendo água
Porque se a estrada me cobra, pago seu preço
E desabrigo o caminho pra o meu sustento
Mesmo que o mundo desabe num tempo feio
Sei o que as asas do poncho trazem por dentro
sábado, 11 de julho de 2009
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